As notas que validei eram as seguintes
“As notas que validei eram as seguintes” ... ... Quê? ... Uns dias antes, Ronaldo dizia estar disponível para tudo o que o treinador precisasse: “para jogar, sair, entrar ou não jogar”. Pois. Não jogou. E houve um problema. Porque a teoria é diferente da prática. Praticar o que se diz é outra conversa. Não há problema em não jogar. O problema é, segundo Ronaldo, prometer que jogava e depois não jogar. E depois ainda ter o descaramento de não seguir o documento que Ronaldo validou. Oh, Jesus... o descaramento. Mas ficava tudo bem se... e só se, Jesus, seguisses o documento e voltasses a sublinhar publicamente a sua excecionalidade. Tudo validado por ele. Adoro o facto de Ronaldo validar o documento que o exalta. Aprendi uma lição com Ronaldo. Vou começar a escrever documentos para quem quiser entrar na minha vida fazer os elogios certos. Afinal, aquele documento não se limitava a esclarecer que Ronaldo nunca tinha pedido minutos. Nem percebi para que isso é preciso. Previa que o selecionador destacasse o seu peso no mundo, o seu profissionalismo, o comparasse a Pelé e Maradona e reafirmasse publicamente o quanto o queria na Seleção. Era preciso? Limpar a imagem de jogador egoísta? Limpar a imagem de capitão que não cumprimenta os colegas e adeptos? E que Jesus concordava 100% com Ronaldo? Era preciso? Jesus até conseguiu dizer algumas alíneas do documento de relações públicas carregadinho de reparação de imagem. Ainda se surpreende que Jesus quebrou a palavra com tanta alínea. Opa, esqueceu-se!!! Já tem 72 anos... Chibatada no Jesus porque o tratou como um mero jogador. É, de facto, de um impacto definidor gravíssimo. Uma quebra de palavra que requer reunião. Aquecer e não entrar constitui uma quebra de palavra, nos termos da alínea 12 do Código da Federação FIFA de Futebol da Santa Bíblia do Código Moral n.º 7. Está escrito. Eu fui ler. Neste caso, a segunda “quebra de palavra”, segundo Ronaldo, traduz-se concretamente nisto: Jesus não disse publicamente aquilo que tinham acordado e, em vez disso, reafirmou a sua autoridade. Depois vêm “as expressões e uma agressividade que julgo não merecer”, acompanhadas de toda a carga emocional em torno da sua importância e do seu peso na Seleção. Mas a questão é mais simples: Jesus tomou uma decisão técnica. Não tinha de se ajoelhar perante o estatuto nem fazer uma declaração pública de exaltação para a reparar. Na minha visão, verdadeira autoridade não se curva perante estatuto. Nem sei por que é que Jesus foi à reunião. Uma reunião para discutir uma decisão técnica perfeitamente normal de um treinador que vai lendo o jogo e decidindo de quem precisa com o objetivo de ganhar?? E porque Jesus não disse algo logo na hora como “Oh ronaldo vai para o banco que agora o jogo pede outro jogador. Para a próxima jogas”. Ai não, esquece! Não pode prometer nem mencionar o banco! O impacto definidor de uma 3ª quebra de palavra!!! Deus nos livre. Dizer “quero a verdade mesmo que doa” é fácil. Reagir com serenidade e aceitação quando se ouve uma verdade desconfortável é outra história. Talvez o problema não seja as quebras de palavras, talvez seja... a dor de sentir que já não é necessário?? Na conferência, Ronaldo ouviu a posição que Jesus estava disposto a sustentar publicamente: admitiu que o devia ter mandado aquecer mais tarde, mas não considerou errada a decisão de não o utilizar. Depois, Ronaldo abandonou o estágio por quebra de palavra 👀 .. E a segunda quebra de palavra foi precisamente Jesus não seguir o que, segundo Ronaldo, tinham acordado para a conferência. O documento, portanto, acabou por não ter um impacto definidor. Jesus não colaborou... Talvez Ronaldo não seja apenas duro com os outros; parece também ser dramaticamente duro consigo. Escreve um comunicado a desculpar-se e a dizer que aceita a punição. Ronaldo pede punição pelo seu crime. Já Jesus não se puniu até ao fim. Drama. Horror. Quebra de palavra. Peço desculpa. Quebra de confiança. Impacto definidor. Verdade. Abandono. Alíneas. As promessas não cumpridas devem ganhar peso de rutura moral. Por que é que Jesus disse uma coisa na reunião e não foi até ao fim na conferência? Não sei. Há de se explicar. Talvez tenha cedido perante a pressão, prometido dizer algo que não correspondia totalmente à sua convicção e, quando chegou à conferência, não tenha conseguido sustentar publicamente aquilo em que não acreditava. Isso faria dele alguém que errou ao prometer, sim, mas precisa de ler um documento de exaltação ao Ronaldo como penitência? Como ousa Jesus não cumprir a punição do seu impacto definidor? Não compreendo. Vou usar mais vezes esta expressão. Adorei o comunicado. Muito dramático. Comunicados são muito lindos, todos pomposos. Pior é o resto. Sejam mais impactantes de forma definitiva na vida uns dos outros. Que isto leva invariavelmente a mais documentos punitivos de exaltação. E que bom que o comunicado está a funcionar. As pessoas já estão mais felizes e emocionadas. É bom perdoar. Jesus ensina: perdoar 70x7. Eu perdoo Ronaldo. Eu perdoo Jesus. Eu perdoo-me a mim. Ámen.
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